BNCC sai do papel e entra nas aulas de Língua Portuguesa da rede municipal

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Trata-se de um documento que tem como tentativa padronizar a educação no Brasil garantindo equidade aos alunos

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) já é realidade nas escolas da rede pública municipal e está mudando a forma como os conteúdos estão sendo trabalhados em sala de aula. A Semed (Secretaria Municipal de Educação) desde ano passado começou a implementar a Base nas 100 escolas da zona urbana, e 102 instituições escolares da zona rural de Marabá com formações continuadas, em parceria com os institutos Lemann e Elos Educacional, ambos de São Paulo.

Kênia Cristina dos Santos Monteiro, professora formadora de Língua Portuguesa da Semed, do segmento do 6º ao 9º ano, lembra que o objetivo principal da BNCC é garantir a equidade de conteúdos aos alunos, na tentativa de evitar que os currículos brasileiros fiquem tão distintos em uma região e outra. “Os alunos têm de ver e aprender conteúdos imprescindíveis para a sua geração”, destaca.

Segundo Kênia Monteiro, as habilidades da BNCC, perpassam no âmbito da leitura, oralidade e análise linguística, além de semiótica, trazendo discussões alusivas aos novos gêneros da cultura digital, mais especificamente no componente de Língua Portuguesa.

“A Semed se preocupou em como garantir essas habilidades por meio das formações e os professores estão se debruçando, pondo em prática o que foi discutido na formação. Isso para mim é muito gratificante, porque percebo que estão envolvidos, abraçaram a causa e viram que é realmente importante e faz todo sentido”, explicitou a professora formadora.

As atividades são produtivas e levam os alunos a pensar, questionar, se posicionar, a ser o aluno protagonista, que tenha empatia pelo outro, apesar do posicionamento. “As temáticas alcançam a vida dos alunos não apenas em termos cognitivos, mas sociais, sócio emocionais, políticos e econômicos. Espero que continuamos assim e consigamos colher muitos frutos do nosso trabalho”, almeja Kênia.

ESCOLA

A Escola “Doralice de Andrade Vieira”, situada no Bairro Vale do Itacaiúnas, está levando a sério a competência do repertório cultural e científico que está no documento da BNCC. Nas aulas de Língua Portuguesa, de Luciane Fernandes, professora efetiva da rede municipal há cinco anos, o conto de Guimarães Rosa, “A terceira margem do rio”, ganhou vida na roda de conversa e discussão da obra com turmas de 8º e 9º ano, na manhã desta sexta-feira (15). Em maio próximo haverá a culminância do projeto Guimarães Rosa, no Sesc, na Cidade Nova, por meio de um Sarau. Este ano será comemorado o centenário do grande autor.

Além da professora Luciane Fernandes, a atividade se deu em parceria com a professora da sala de leitura Vânica Mourão, da “Doralice de Andrade”. “Esta é uma das muitas atividades que serão feitas até o dia do Sarau”, frisa a professora Luciane Fernandes.

A aluna Anny Harly do 8º ano achou muito interessante que aos 6 anos de idade, Guimarães Rosa, se interessou pela leitura ao ponto de pedir às pessoas na estação de trem para trazerem revistas e livros para ele. Durante a atividade diferenciada de leitura houve grande participação dos alunos. Uma barca foi colocada no meio da sala para personificar o conto, os alunos ficaram em roda para desfrutar assim melhor da leitura.

Outra escola que está colocando em prática a BNCC, desde já, é a Escola “Pedro Peres”, localizada em Morada Nova. A professora de Língua Portuguesa Catiane da Silva Abreu resolveu inovar, trazendo para a sala de aula o conteúdo dos novos gêneros digitais, conforme reza a BNCC.

Primeiro, ela trabalhou com os alunos a reportagem do Falso fotógrafo da ONU, a fim de exemplificar o conceito de fake News, depois construiu plaquinhas com os dizeres, “curti, compartilha, não curti, fake e sensacionalismo”, para que os alunos saibam diferenciar as propostas editoriais de cada notícia, além de separar notícias verdadeiras e falsas, muito disseminadas nas redes sociais atualmente. Esta atividade foi nomeada “Fatou ou Fake”.

“Os alunos puderam conhecer melhor os riscos de compartilhar informações falsas. Conseguiram distinguir as notícias sensacionalistas e houve uma discussão muito rica sobre os riscos”, enfatizou Catiane, professora efetiva da rede municipal.