Escola Agrícola ensina crianças e jovens a melhorar a agricultura familiar

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É numa área de 15 hectares, localizada na zona rural de Marabá, no km 23, da BR-230, sentido de Itupiranga, que 80 crianças e adolescentes, distribuídos em quatro turmas, do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, têm uma educação diferenciada. Lá funciona a Escola Família Agrícola de Marabá (EFA) Professor Jean Hébette. É um espaço educacional voltado para atender os alunos do campo.

Na escola os estudantes, de sete municípios, vivem em regime de internato.  Durante quinze dias aprendem disciplinas da matriz curricular comum como português, matemática, ciências, história e geografia, mas também assuntos ligados à tecnologia e à lida com a terra, plantações e a criação de animais. No restante do mês, eles voltam aos seus lares e aplicam na comunidade agrícola os conhecimentos adquiridos. O método adotado é conhecido como Pedagogia da Alternância.

Saymon Craveiro tem apenas 14 anos, estuda há 3 na EFA, e cursa o 9º ano. Segundo ele o aprendizado na escola tem trazido benefícios na vida da família. “Aqui eu aprendo o que aprendia em outras escolas, mas também o que posso ensinar para os meus pais e irmãos no campo como manejar algumas plantas. Meu pai exporta farinha, e direto tem compradores na vila, então precisávamos produzir mais rápido e com planta de melhor qualidade e aqui aprendi como fazer isso”, destaca o estudante.

A Jasda de Jesus, também se identifica com o ambiente. Apesar de morar no campo, ela conta que não sabia trabalhar na terra. “A gente aprende muita coisa sobre a cultura e agricultura e meu objetivo é chegar no Instituto Federal e ensinar outras pessoas”, disse a aluna.

O professor Oséas Gomes, de ciências e tecnologia, é ex-aluno da EFA, e ao trabalhar com os educandos tem boas expectativas porque sabe que a escola oferece grandes oportunidades. “A escola oportuniza que eles possam permanecer no campo, mas também desenvolver outras atividades na cidade e desenvolver um pensamento crítico, aqui a gente trabalha muito a autonomia” ressalta o docente.

Além dos espaços pedagógicos, como as duas salas de aula, na EFA os estudantes contam com as unidades produtivas. São espaços onde eles praticam o conhecimento das disciplinas de zootecnia, agricultura e administração rural. Dentre os espaços, existem o pasto, três tanques de piscicultura, um aviário, uma pocilga, um viveiro para produção de mudas, duas hortas, sendo uma medicinal, e uma roça para plantio.

Apesar de ser mantida pela Prefeitura de Marabá, a EFA precisa de parceiros, inclusive da iniciativa privada, para garantir o funcionamento das unidades produtivas, observa o diretor Idelmar Silva dos Santos. “A prefeitura garante o espaço, os servidores, parte da merenda, mas precisamos muito de recursos, equipamentos e insumos, queremos produzir para consumo interno, e o excedente levarmos para as feiras da cidade”, afirma o diretor, que ressalta ainda uma parceria com a Vale, Idelflor e Embrapa.

Lorena Bogea, diretora do campo da Semed, reforça que as parcerias são necessárias para melhorar a infraestrutura e equipamentos do local. “A gente precisa muita de parcerias, tanto de empresas quanto das prefeituras das quais nós atendemos”.

A escola ainda está com vagas abertas para filhos de agricultores da região. Os interessados devem se dirigir à EFA com documentos pessoais do aluno, em horários comerciais.